Dados e Estudos
Evidência académica e estatística sobre habitação acessível em Portugal: estudos do Banco de Portugal, OCDE, OHARU, PLANAPP, Nova SBE e FFMS, com leitura territorial e indicadores de acessibilidade.
-
Habit:AÇÃO da PLANAPP: doze perfis territoriais e seis eixos de política habitacional
PLANAPP publica policy brief Habit:AÇÃO, coordenado por Teresa Sá Marques (CEGOT). Sistematiza a habitação indigna em três dimensões e doze perfis municipais, e propõe seis eixos de política diferenciada por território. A recomendação operacional mais saliente equipara grupos vulneráveis e classes médias enquanto destinatários de oferta pública, cooperativa e a custos controlados.
-
PLANAPP e FCT: primeiros policy briefs Science4Policy cobrem habitação
Centro de Planeamento e Avaliação de Políticas Públicas publica investigação académica aplicada à decisão política. Entre os primeiros temas: habitação, transição climática e envelhecimento. Infraestrutura de diálogo academia-governo com precedentes escassos em Portugal.
-
Banco de Portugal: taxa de esforço da compra ultrapassa 40 por cento em 104 municípios
Caixa 3 do Boletim Económico de março documenta agravamento generalizado da acessibilidade à habitação. Em 2019 eram apenas 9 municípios acima do limiar dos 40 por cento, em 2023 são 104. Gap estrutural de 14 mil fogos por ano entre crescimento de agregados e novas habitações.
-
Propriedade por defeito: leitura institucional do mercado habitacional português
Working paper de revisão de literatura publicado pela Fundação Âncora. Tese: Portugal tem uma das mais elevadas taxas de propriedade habitacional da Europa Ocidental e um dos setores de arrendamento menos desenvolvidos; a primeira característica decorre principalmente da segunda; a segunda resulta de falhas institucionais concretas e datáveis no desenho do mercado, não de preferências culturais imutáveis.
-
Eurostat: UE gasta 0,37% do PIB em habitação, Portugal nos que menos investem
Análise da Euronews com dados Eurostat (20 de fevereiro de 2026) sobre despesa pública europeia em habitação social e apoios ao arrendamento: média de 0,37% do PIB em 2023. Portugal entre os países que menos investem; Reino Unido lidera. Quadro contextualiza a urgência do pacote fiscal nacional recém-aprovado.
-
Idealista: casas em Portugal sobem 13,1% em janeiro, novo máximo de 3.047 €/m²
Índice idealista regista preço mediano de 3.047 euros por metro quadrado em janeiro de 2026 — novo máximo histórico pelo terceiro mês consecutivo, com subida anual de 13,1%. Lisboa lidera (5.500 €/m²). O movimento de preços sustenta o vazio do middle market que o pacote fiscal recém-promulgado pretende endereçar.
-
Fed San Francisco e RICS: oferta, capital e acessibilidade habitacional
Em fevereiro de 2026, três economistas do Federal Reserve de São Francisco publicam um working paper que questiona empiricamente a tese de que restrições de oferta explicam diferenças de preços entre cidades americanas. A conclusão alinha-se com a posição institucional da RICS de outubro de 2025 e com o enquadramento de Mike Bird em The Land Trap. As três peças convergem numa pergunta que a política habitacional ainda não respondeu de forma satisfatória: em que condições o capital privado produz habitação para o segmento de rendimento médio?
-
OCDE a Portugal: pilotar fundo rotativo para habitação acessível
Survey Portugal 2026 dedica capítulo especial à habitação e diagnostica ausência de tradição portuguesa de operadores sem fins lucrativos. Recomendação explícita de proof of concept com financiamento misto de dívida bancária, empréstimos públicos e equity filantrópico.
-
JRC: Portugal com 177 mil casas em falta até 2035 e renovação profunda a 0,7% ao ano
O brief do Joint Research Centre apresentado a 16 de dezembro de 2025 quantifica o défice habitacional português em 176,6 mil fogos adicionais até 2035, acima dos 289 mil já esperados pelo ritmo histórico. O modelo JANUS B da DGEG mostra que a renovação profunda do parque corre hoje a 0,7% ao ano. A Diretiva EPBD obriga a transposição até 29 de maio de 2026.
-
Housing Europe: Portugal tem 2 por cento de parque público, terceiro pior da UE
State of Housing in the EU 2025 mantém Portugal no fundo da tabela europeia em habitação pública. Relatório aponta sobrecarga financeira em 30 por cento dos agregados arrendatários portugueses e ausência de operadores sem fins lucrativos com escala.
-
Nova SBE e Gulbenkian: Portugal precisa de 30 por cento de parque público
Avaliação intergeracional do Mais Habitação apresentada em Carcavelos diagnostica ineficácia estrutural da política atual. Recomendação contrasta com os 2 por cento de parque público portugueses e alinha-se com benchmark de Viena e Países Baixos.
-
FFMS: a crise da habitação é de oferta, não de procura
Policy paper de Pedro Siza Vieira publicado no ECO defende construção massiva a preços intermédios como pilar central da política habitacional. Recomenda pacto nacional com horizonte de duas décadas e abandono do recurso exclusivo a subsídios à procura.
-
Relatório do IHRU: 124 mil arrendatários com rendas anteriores a 1990
Relatório do IHRU/OHARU sobre o Arrendamento Habitacional em Portugal, publicado em maio de 2023 e atualizado em outubro, identifica 124.083 arrendatários com contratos pré-1990 não submetidos ao NRAU. Suporta o desenho do subsídio de renda e da compensação a senhorios operacionalizados pelo Decreto-Lei 132/2023.