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24 entradas no Radar Âncora.
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Poderia Oeiras ser a Viena de Portugal? Ensaio sobre escala, condições e regime
Oeiras tem o maior poder de compra do país, um orçamento municipal de 358,8 milhões e um plano de habitação em execução. O Sonar estima 17.162 fogos acessíveis a criar; a intensidade de Viena aplicada ao concelho aponta para 32 mil. Primeiro ensaio territorial do Radar: entre a necessidade herdada e o ecossistema imaginado, o que separa Oeiras de Viena é o regime de solo, renda e operadores.
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Cadernos de Urbanismo da APU: um número inteiro sobre habitação
A Associação Portuguesa de Urbanistas dedica o sétimo número dos Cadernos de Urbanismo à habitação. Doze textos de académicos, ex-governantes e técnicos convergem num diagnóstico que desloca o foco da procura para a oferta, a política de solos e a capacidade do setor da construção. Dois contributos interessam diretamente a quem produz arrendamento acessível: a Carta Municipal de Habitação como instrumento de solo, e o modelo de concessão do Programa de Renda Acessível de Lisboa, com o seu catálogo de bloqueios.
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O que um promotor pode pedir à câmara: mais índice, IVA a 6% e um comprador que fica
Entre dezembro de 2024 e maio de 2026, quatro diplomas montaram um pacote coerente para o promotor que afeta parte de um projeto a arrendamento acessível: majoração de 20% do índice de construção, IVA a 6% nas empreitadas, benefícios fiscais dos CIA e cedências cumpríveis com área construída afeta. As peças estão dispersas e cada uma tem prazo. Leitura do Radar: falta a única peça que nenhum diploma cria, um comprador de longo prazo para a componente acessível.
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Necessidade de habitação acessível, concelho a concelho: a carência e a classe média
A Fundação Âncora publicou o Sonar Necessidade, um mapa interativo que estima, concelho a concelho, os fogos de arrendamento acessível a criar, a partir da análise aberta do DataH. Lê o território por duas lentes complementares: a carência de quem vive em habitação inadequada (cerca de 200 mil) e a classe média que o mercado exclui (cerca de 293 mil), que a renda de cobertura de custos serve.
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A geografia da habitação acessível: é o mecanismo que decide o lugar
Um estudo comparativo da Fundação Âncora (Europa e Estados Unidos) reúne a evidência sobre onde está a habitação acessível para a classe média, e porquê. Conclusão central: a localização segue o mecanismo que a produz, e o anti-gueto vem da amplitude de elegibilidade, do solo público em direito de superfície e da renda de cobertura de custos, não da escolha do sítio.
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Porto: o maior arrendamento acessível do país, e a pergunta de quanto tempo dura
A Câmara do Porto formaliza a 18 de junho, através da Porto Vivo, uma parceria com a Sonae Sierra e a Solive para 331 casas de arrendamento acessível em Campanhã, que diz ser o maior projeto do género do país e o segundo depois do «Jardins do Oriente» com a Ageas. Investimento, rendas e prazo de afetação do novo projeto não foram divulgados. Leitura do Radar: a escala de capital privado chegou ao arrendamento acessível português; o que decide se é estrutural ou conjuntural é a perenidade, o regime do solo e o método da renda.
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108 Vozes pela Habitação: todos assinam o diagnóstico, cinco tocam o custo do capital
O Iscte Executive Education lançou na Feira do Livro '108 Vozes pela Habitação' (Oficina do Livro, 720 pp.), juntando governo, autarcas, académicos, promotores, inquilinos e alojamento local. O Radar leu a obra na íntegra: o consenso está na oferta, na estabilidade e na fiscalidade; o custo do capital aparece em cinco vozes, o cost-rental é nomeado uma vez, e «capital paciente» vive num só texto.
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Section 106: a subsidiação cruzada e o parceiro que compra a habitação acessível
No Reino Unido, os promotores cumprem a obrigação de habitação acessível vendendo-a a um parceiro permanente, num mecanismo que chegou a entregar metade da habitação acessível inglesa. Em 2026, quando esse parceiro recuou, milhares de fogos encalharam. A lição para Portugal, que montou agora a mesma moldura: o que dá segurança ao promotor é um receptor feito para ficar.
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Reabilitar e mudar de uso: trazer a classe média de volta ao centro
As reformas de 2024-2026 derrubaram a fricção legal que travava converter comércio, escritórios e devolutos em habitação, e Portugal tem 723 mil fogos vagos, muitos no coração das cidades. Mas os centros esvaziam-se: a Misericórdia, em Lisboa, perdeu 26 por cento dos habitantes numa década. Reabilitar e mudar de uso é a via mais rápida para repor a classe média onde trabalha.
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Construir para cem anos: eficiência, durabilidade e o custo de ciclo de vida da casa
A Diretiva europeia do desempenho energético dos edifícios, em transposição em Portugal, deixou de medir só o consumo anual para olhar o edifício ao longo da vida, carbono incorporado incluído. O custo de uma casa é operá-la e mantê-la décadas, não construí-la — e durar é, em si, descarbonizar. O Radar trata a habitação acessível como ativo de ciclo de vida longo.
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Novo RJUE: comunicação prévia sem controlo prévio e cedências para habitação acessível
O Decreto-Lei n.º 108/2026, de 29 de maio, revê o RJUE. A comunicação prévia deixa de ser controlo prévio e passa a assunção de responsabilidade do promotor, com fiscalização sucessiva no prazo de um ano. As cedências para habitação pública e arrendamento acessível passam ao domínio privado municipal. Agiliza a construção, mas não fixa o teto de renda, e só entra em vigor em agosto.
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Contratos de Investimento para Arrendamento: benefícios fiscais e indemnização a 25 anos
O Decreto-Lei n.º 97/2026, de 20 de maio, cria os Contratos de Investimento para Arrendamento (CIA): contratos até 25 anos entre investidores e o Estado para arrendamento a renda moderada (~2.300 euros). Em troca de afetar 70% da área a arrendamento, dão isenções de IMT, Selo, IMI, AIMI e IVA reduzido, e garantem indemnização ao investidor se a lei mudar. Produzem efeitos em setembro de 2026.
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Municípios: a lacuna não é de vontade, é de instrumento
Muitos municípios portugueses têm património imobiliário, enfrentam crise habitacional e dispõem de mandato político para responder. Falta, entre estas três realidades, um modelo de concurso pronto a lançar. A lacuna é instrumental, não de vontade.
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Governo regulamenta pacote fiscal e revê RJUE com comunicação prévia generalizada
Conselho de Ministros aprovou a 27 de março de 2026 três diplomas: regulamentação do pacote fiscal (IVA a 6%, IRS reduzido, CIA, RSAA), revisão profunda do Regime Jurídico da Urbanização e Edificação com comunicação prévia generalizada e prazos reduzidos, e mecanismo célere de resolução de heranças indivisas que permite a qualquer herdeiro provocar venda após dois anos de indivisão.
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Banco Português de Fomento assume habitação como prioridade com 4 mil milhões em garantias
CEO Gonçalo Regalado anunciou em janeiro 4 mil milhões de euros em garantias para habitação acessível, organizados em quatro linhas. Em março, Nadia Calviño confirmou 1,5 mil milhões adicionais do Banco Europeu de Investimento para habitação social em Portugal, a somar ao recorde de 750 milhões desembolsado em 2025.
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Parlamento aprova pacote fiscal da habitação: IVA a 6%, IRS a 10% em rendas moderadas
Assembleia da República aprovou a 18 de fevereiro de 2026 o pacote fiscal da habitação: IVA reduzido de 23 para 6% em construção e reabilitação até 648 mil euros, IRS de rendas moderadas baixa de 25 para 10% até 2029, novos Contratos de Investimento para Arrendamento (CIA) e Regime Simplificado de Arrendamento Acessível (RSAA). Custo estimado pela UTAO: 309 milhões.
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Coimbra suspende PDM por dois anos para acelerar habitação acessível
Câmara aprova majoração de 30 por cento na área de construção para projetos com 70 por cento de frações a preços acessíveis. Medida excecional replica instrumento usado em Lisboa e Porto para desbloquear pipeline municipal sem esperar revisão do PDM.
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Idealista: casas em Portugal sobem 13,1% em janeiro, novo máximo de 3.047 €/m²
Índice idealista regista preço mediano de 3.047 euros por metro quadrado em janeiro de 2026 — novo máximo histórico pelo terceiro mês consecutivo, com subida anual de 13,1%. Lisboa lidera (5.500 €/m²). O movimento de preços sustenta o vazio do middle market que o pacote fiscal recém-promulgado pretende endereçar.
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SGEI revista: Bruxelas elimina limite de auxílios a habitação acessível
Revisão da Decisão sobre Serviços de Interesse Económico Geral remove plafonds de compensação e alarga elegibilidade para habitação intermédia. Desbloqueia direitos de superfície municipais e isenções fiscais combinadas em projetos de grande escala.
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Pan-European Investment Platform: o veículo europeu que vai escalar operadores
Novo instrumento combina garantias InvestEU, empréstimos BEI e capital de bancos promocionais nacionais para financiar habitação acessível à escala continental. Prevê-se mobilização de 375 mil milhões por bancos promocionais nacionais até 2029.
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BEI duplica: 6 mil milhões anuais para habitação em 2026
Decisão do Conselho de Administração do Banco Europeu de Investimento alinha-se com o European Affordable Housing Plan. Gap de financiamento europeu estimado em 153 mil milhões por ano. Portugal acede via GPEARI.
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GBV Áustria: 681 mil casas em regime de lucro limitado e cost-rent
Federação austríaca gere um quarto do parque habitacional nacional em regime de reinvestimento obrigatório de excedentes. Modelo de referência europeu para operadores de lucro limitado, citado pela OCDE no survey Portugal 2026.
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Patrizia e Urbania mobilizam 130 milhões para habitação acessível em Espanha
Joint venture com co-investimento de fundos Next Generation EU arranca com cerca de 320 fogos de arrendamento acessível na região de Alicante, na Comunidade Valenciana. Operação valida combinação de capital institucional privado com garantia pública europeia à escala.
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Ipsos: em 29 países, 63% apoiam construir mas só 32% confiam que chegue acessível
Sondagem Ipsos em 29 países (recolha nov.-dez. 2024, publicada em 29 de janeiro de 2025): maioria apoia construir mais casas, mas só 32 por cento confia que vão sair habitações acessíveis suficientes; em Espanha a confiança cai para 20 por cento. Portugal fica fora da amostra, o que reforça o valor do trabalho de evidência primária que já se faz cá.