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Academia e investigação
22 entradas no Radar Âncora.
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Cadernos de Urbanismo da APU: um número inteiro sobre habitação
A Associação Portuguesa de Urbanistas dedica o sétimo número dos Cadernos de Urbanismo à habitação. Doze textos de académicos, ex-governantes e técnicos convergem num diagnóstico que desloca o foco da procura para a oferta, a política de solos e a capacidade do setor da construção. Dois contributos interessam diretamente a quem produz arrendamento acessível: a Carta Municipal de Habitação como instrumento de solo, e o modelo de concessão do Programa de Renda Acessível de Lisboa, com o seu catálogo de bloqueios.
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Quando a casa vira reserva de valor: financeirização e o fosso geracional
O Radar tem documentado o sintoma — preços +140% contra rendimentos +34%, taxa de esforço acima dos 40% em 104 concelhos. Por baixo está uma pergunta: por que deixou a casa de baratear, como um bem produzido, e passou a valorizar como ativo financeiro? A evidência dominante (Knoll-Schularick-Steger, Jordà, Rognlie) mostra a habitação a tornar-se a reserva de valor das economias avançadas, com o ganho a acumular em quem já detém e o custo a recair em quem ainda tem de entrar — os mais novos, que em Portugal só saem de casa dos pais aos 28,9 anos. Um ensaio da Mises Wire dá a esta leitura o nome de «rivalidade intergeracional» e propõe abolir o dinheiro fíat; é o espelho à direita da crítica marxista de Bradley, que propõe abolir o preço. O Radar fica com o diagnóstico e recusa as duas curas macro: a renda de custo, o direito de superfície e o retorno limitado desligam a casa da lógica de reserva de valor sem abolir nem a moeda nem o mercado.
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Olivais e Telheiras: tese do Técnico liga acessibilidade durável ao regime e à gestão
Aprovada com Distinção e Louvor no Instituto Superior Técnico, a tese de Zara Castelo Ferreira sobre Olivais e Telheiras documenta meio século de arrendamento, direito de superfície e gestão institucional em Lisboa. A conclusão: a acessibilidade durou o que durou o regime, e o que se degradou com a propriedade horizontal foi a gestão, não o edificado.
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Harvard JCHS 2026: as rendas descem nos EUA e a sobrecarga bate recorde
O relatório anual do Joint Center for Housing Studies de Harvard (17 de junho de 2026) traz o paradoxo que valida a tese estrutural: nos EUA as rendas dos apartamentos caem (menos 0,5 por cento no primeiro trimestre de 2026) e, em simultâneo, a sobrecarga de custo dos arrendatários bate recorde pelo quarto ano consecutivo, 22,7 milhões de famílias (49 por cento). O mercado não produz baixo custo; as respostas que emergem são promotores de habitação social e fundos rotativos.
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108 Vozes pela Habitação: todos assinam o diagnóstico, cinco tocam o custo do capital
O Iscte Executive Education lançou na Feira do Livro '108 Vozes pela Habitação' (Oficina do Livro, 720 pp.), juntando governo, autarcas, académicos, promotores, inquilinos e alojamento local. O Radar leu a obra na íntegra: o consenso está na oferta, na estabilidade e na fiscalidade; o custo do capital aparece em cinco vozes, o cost-rental é nomeado uma vez, e «capital paciente» vive num só texto.
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Habit:AÇÃO da PLANAPP: doze perfis territoriais e seis eixos de política habitacional
PLANAPP publica policy brief Habit:AÇÃO, coordenado por Teresa Sá Marques (CEGOT). Sistematiza a habitação indigna em três dimensões e doze perfis municipais, e propõe seis eixos de política diferenciada por território. A recomendação operacional mais saliente equipara grupos vulneráveis e classes médias enquanto destinatários de oferta pública, cooperativa e a custos controlados.
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A renda austríaca: cost-rent, base-rent e revolving fund
A renda nas associações austríacas de lucro limitado constrói-se a partir do custo, não do mercado, e baixa quando os empréstimos terminam, em vez de subir. Um working paper de Gerald Koessl no CIRIEC descreve a aritmética em detalhe, do cálculo cost-rent à mecânica do revolving fund que sustenta a expansão setorial.
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WIFO: o lucro limitado austríaco é benefício líquido para o Estado
O Instituto Austríaco de Investigação Económica WIFO mediu o efeito macroeconómico do setor austríaco de habitação de lucro limitado. As associações poupam mais de mil milhões de euros por ano aos arrendatários, acrescentam entre 640 e 980 milhões ao PIB, e são saldo positivo para o orçamento público apesar dos subsídios.
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PLANAPP e FCT: primeiros policy briefs Science4Policy cobrem habitação
Centro de Planeamento e Avaliação de Políticas Públicas publica investigação académica aplicada à decisão política. Entre os primeiros temas: habitação, transição climática e envelhecimento. Infraestrutura de diálogo academia-governo com precedentes escassos em Portugal.
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Banco de Portugal: taxa de esforço da compra ultrapassa 40 por cento em 104 municípios
Caixa 3 do Boletim Económico de março documenta agravamento generalizado da acessibilidade à habitação. Em 2019 eram apenas 9 municípios acima do limiar dos 40 por cento, em 2023 são 104. Gap estrutural de 14 mil fogos por ano entre crescimento de agregados e novas habitações.
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Bradley: o mito da habitação acessível, ou quando o preço substituiu a necessidade
Quintin Bradley (Leeds Beckett) publica na Routledge uma crítica ao 'affordable housing': ao trocar a necessidade pelo preço, a acessibilidade subsidia a procura e deixa o preço intacto. A régua confirma-o: o limiar do 'acessível' deslizou de 20 para 40 por cento do rendimento com os preços. Leitura do Radar: a crítica atinge o acessível-por-desconto, não a renda de custo, que o livro defende.
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Propriedade por defeito: leitura institucional do mercado habitacional português
Working paper de revisão de literatura publicado pela Fundação Âncora. Tese: Portugal tem uma das mais elevadas taxas de propriedade habitacional da Europa Ocidental e um dos setores de arrendamento menos desenvolvidos; a primeira característica decorre principalmente da segunda; a segunda resulta de falhas institucionais concretas e datáveis no desenho do mercado, não de preferências culturais imutáveis.
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Eurostat: UE gasta 0,37% do PIB em habitação, Portugal nos que menos investem
Análise da Euronews com dados Eurostat (20 de fevereiro de 2026) sobre despesa pública europeia em habitação social e apoios ao arrendamento: média de 0,37% do PIB em 2023. Portugal entre os países que menos investem; Reino Unido lidera. Quadro contextualiza a urgência do pacote fiscal nacional recém-aprovado.
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Fed San Francisco e RICS: oferta, capital e acessibilidade habitacional
Em fevereiro de 2026, três economistas do Federal Reserve de São Francisco publicam um working paper que questiona empiricamente a tese de que restrições de oferta explicam diferenças de preços entre cidades americanas. A conclusão alinha-se com a posição institucional da RICS de outubro de 2025 e com o enquadramento de Mike Bird em The Land Trap. As três peças convergem numa pergunta que a política habitacional ainda não respondeu de forma satisfatória: em que condições o capital privado produz habitação para o segmento de rendimento médio?
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JRC: Portugal com 177 mil casas em falta até 2035 e renovação profunda a 0,7% ao ano
O brief do Joint Research Centre apresentado a 16 de dezembro de 2025 quantifica o défice habitacional português em 176,6 mil fogos adicionais até 2035, acima dos 289 mil já esperados pelo ritmo histórico. O modelo JANUS B da DGEG mostra que a renovação profunda do parque corre hoje a 0,7% ao ano. A Diretiva EPBD obriga a transposição até 29 de maio de 2026.
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Nova SBE e Gulbenkian: Portugal precisa de 30 por cento de parque público
Avaliação intergeracional do Mais Habitação apresentada em Carcavelos diagnostica ineficácia estrutural da política atual. Recomendação contrasta com os 2 por cento de parque público portugueses e alinha-se com benchmark de Viena e Países Baixos.
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FFMS: a crise da habitação é de oferta, não de procura
Policy paper da FFMS coordenado por Paulo M.M. Rodrigues, com Hugo de Almeida Vilares e Rita Fradique Lourenço, defende construção massiva a preços intermédios como pilar central da política habitacional. Revisitado num ensaio de Pedro Siza Vieira no ECO, recomenda pacto nacional com horizonte de duas décadas e abandono do recurso exclusivo a subsídios à procura.
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McKinsey: investir em habitação para destravar a mobilidade económica
McKinsey Institute for Economic Mobility (fevereiro de 2025) quantifica a escassez de fogos nos EUA: défice de 8,2 milhões em 2023 (9,6 milhões em 2035) e 2,7 biliões de investimento para quase 2 biliões de PIB e 1,7 milhões de empregos. Leitura crítica do Radar: eixo racial e instrumental fiscal não transpõem para Portugal, mas a arquitetura converge com o custo justo europeu.
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Ipsos: em 29 países, 63% apoiam construir mas só 32% confiam que chegue acessível
Sondagem Ipsos em 29 países (recolha nov.-dez. 2024, publicada em 29 de janeiro de 2025): maioria apoia construir mais casas, mas só 32 por cento confia que vão sair habitações acessíveis suficientes; em Espanha a confiança cai para 20 por cento. Portugal fica fora da amostra, o que reforça o valor do trabalho de evidência primária que já se faz cá.
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Tese da FEP: mais oferta de mercado baixaria os preços da habitação só 3 a 7 por cento
Dissertação de mestrado da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, orientada por Hugo de Almeida Vilares e apresentada na 12.ª Conferência do Banco de Portugal. Um modelo econométrico espacial para os 254 municípios do continente conclui que duplicar a construção baixaria os preços apenas 7 por cento, enquanto repor o alojamento local nos níveis de 2015 os reduziria 17 por cento.
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Habitação acessível não é acessibilidade à habitação: a distinção que decide a medição
A economista Vera Gouveia Barros (SEDES) distingue habitação acessível, um conceito de preço, de acessibilidade à habitação, uma condição do agregado. O rácio entre despesa e rendimento, base das taxas de esforço e de sobrecarga (limiar de 40 por cento no Eurostat), classifica mal; a autora prefere o rendimento residual. Leitura do Radar: o que falha é o indicador agregado, que esconde o problema por segmento — a régua do rendimento residual, não o rótulo do preço, é a que conta.
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Subsídio à renda em mercado rígido: a evidência da captura pelos senhorios
Há literatura causal robusta — de França aos EUA — segundo a qual um subsídio à renda de mercado, sob oferta inelástica, é largamente capturado pelos senhorios em renda mais alta, não em melhor habitação. A referência (Fack, 2006) estima 78 cêntimos por euro. A direção é consensual; a magnitude depende do regime. Em Portugal, o Porta 65 amplifica-o pelo desenho, e falta estudo de incidência.