Tema
Classe média
A classe média no mercado habitacional português: rendimentos, taxas de esforço e o estreitamento do acesso à compra e ao arrendamento. 8 entradas no Radar Âncora.
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Cozinha equipada ou por equipar: a conta certa é o esforço total do inquilino
Deve a casa arrendada vir com fogão, frigorífico e máquina de loiça? O RGEU exige a cozinha, não o recheio; o IRS trata os eletrodomésticos como artigos de decoração não dedutíveis; e o Estado, que tarifou a cozinha equipada em cerca de 3 por cento da renda em 2019, deixou de o fazer. Entrar num T2 vazio no Porto custa 12 892 euros, quase nove rendas. A régua certa é o esforço total do inquilino.
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Classe energética A ou B em habitação nova: a conta certa é o esforço total do inquilino
Construtores questionam a classe A em habitação nova: não transfere investimento para a renda? A lei já respondeu — construção nova licenciada desde 2021 é NZEB, classe A mínima — e a aritmética também: somada a fatura, o equipamento, os contratos, o tempo, a saúde e o conforto, o B nominalmente mais barato custa mais a quem habita. A medida certa é o esforço total do inquilino, não a renda.
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Poderia Oeiras ser a Viena de Portugal? Ensaio sobre escala, condições e regime
Oeiras tem o maior poder de compra do país, um orçamento municipal de 358,8 milhões e um plano de habitação em execução. O Sonar estima 17.162 fogos acessíveis a criar; a intensidade de Viena aplicada ao concelho aponta para 32 mil. Primeiro ensaio territorial do Radar: entre a necessidade herdada e o ecossistema imaginado, o que separa Oeiras de Viena é o regime de solo, renda e operadores.
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Habitação social, pública, acessível: o que cada nome decide sobre quem entra
Em Portugal, «habitação social» designa o parque em arrendamento apoiado para os mais carenciados — mas a Lei de Bases nem usa o termo. Em Viena, 75 por cento da população é elegível; na Dinamarca não há teto de rendimento; a Irlanda criou o «cost rental» para servir a classe média; a UE separou juridicamente social de acessível em dezembro de 2025. O Radar mapeia quem entra em cada nome.
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A encomenda que volta: os grandes arquitetos e a habitação com missão pública
Souto de Moura diz que trocava os prémios por bons projetos de habitação. Entre 2016 e 2025, o Pritzker, o Stirling e o Mies voltaram à habitação para o maior número — o padrão que fez a reputação da arquitetura portuguesa, de Olivais ao SAAL. Com 26 concursos do IHRU, 15 em Lisboa e a majoração de 20%, a encomenda reabre: casas de qualidade para a classe média, bairros com vizinhança ativa.
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Necessidade de habitação acessível, concelho a concelho: a carência e a classe média
A Fundação Âncora publicou o Sonar Necessidade, um mapa interativo que estima, concelho a concelho, os fogos de arrendamento acessível a criar, a partir da análise aberta do DataH. Lê o território por duas lentes complementares: a carência de quem vive em habitação inadequada (cerca de 200 mil) e a classe média que o mercado exclui (cerca de 293 mil), que a renda de cobertura de custos serve.
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A geografia da habitação acessível: é o mecanismo que decide o lugar
Um estudo comparativo da Fundação Âncora (Europa e Estados Unidos) reúne a evidência sobre onde está a habitação acessível para a classe média, e porquê. Conclusão central: a localização segue o mecanismo que a produz, e o anti-gueto vem da amplitude de elegibilidade, do solo público em direito de superfície e da renda de cobertura de custos, não da escolha do sítio.
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Reabilitar e mudar de uso: trazer a classe média de volta ao centro
As reformas de 2024-2026 derrubaram a fricção legal que travava converter comércio, escritórios e devolutos em habitação, e Portugal tem 723 mil fogos vagos. Os centros esvaziam-se: a Misericórdia, em Lisboa, perdeu 26 por cento dos habitantes numa década. Com o IHRU e o BEI já a financiar a conversão, reabilitar e mudar de uso é a via mais rápida para repor a classe média no centro.