# CEB e InvestEU injectam 31 milhões na Sostre Civic: 350 casas cooperativas

**Acontecimento:** 23 de dezembro de 2025 · **Publicado no Radar:** 28 de fevereiro de 2026
**Categoria:** Benchmark Internacional
**País:** Espanha
**Cidade:** Barcelona
**Tags:** sostre-civic, ceb, investeu, cessio-dus, cooperativa, lucro-limitado, catalunha, bloc4bcn

**URL canónica:** https://radar.fundacaoancora.pt/entradas/sostre-civic-ceb-investeu-catalunha/

---

## O que aconteceu

A 23 de dezembro de 2025, o Council of Europe Development Bank publicou uma reportagem detalhada sobre o estado de execução de um dos seus programas emblemáticos: o empréstimo de 31 milhões de euros concedido à Sostre Civic, a maior cooperativa habitacional de Catalunha, anunciado originalmente a 4 de novembro de 2024 em Barcelona.

O programa financia a construção de mais de 350 habitações cooperativas em sete projectos iniciais, distribuídos por Barcelona, Lleida, Manresa, Granollers e Vilafranca del Penedès. Os municípios cedem o solo; a Sostre Civic mantém a propriedade colectiva dos edifícios construídos; os sócios da cooperativa têm direito de uso permanente mediante pagamentos mensais tipicamente 10 a 40 por cento abaixo do mercado.

O empréstimo do CEB beneficia de uma garantia parcial do InvestEU, o mecanismo europeu de garantias para investimento de interesse público. O custo total do programa é de 62 milhões de euros, parcialmente financiado por fundos da União Europeia, com 13 por cento de grant. Cerca de 25 por cento das habitações serão reservadas para pessoas socialmente vulneráveis, incluindo pessoas com mobilidade reduzida, deficiência intelectual, mulheres vítimas de violência baseada no género, e seniores.

<p class="destaque">Este é, à data, o maior financiamento europeu jamais concedido a uma cooperativa habitacional em Catalunha e em Espanha. E, mais importante, o protótipo contratualizado do modelo que a Comissão Europeia agora quer replicar à escala continental.</p>

O modelo operacional é conhecido por cessió d'ús, direito de uso. Os residentes nem arrendam nem compram; pagam uma mensalidade baseada em custos reais de aquisição, manutenção e operação, não em valores de mercado. A cooperativa, presidida por Carlos Alcoba, tem Eva Ortigosa como directora de coordenação de projecto. Maria Sigüenza, country manager do CEB em Espanha, enquadrou a operação como alinhada com o Strategic Framework 2023-2027 do banco.

Os edifícios são construídos com critérios ambientais elevados: certificação energética A, painéis fotovoltaicos, reciclagem de águas cinzentas, sistemas partilhados de mobilidade eléctrica em alguns projectos, e estrutura de madeira em Granollers e Vilafranca del Penedès. Barcelona e Sant Andreu incluem frações reservadas para pessoas com deficiência intelectual; o projecto Can 70, em Sarrià, é dedicado a residentes seniores.

A Sostre Civic prevê que, com este programa, a sua capacidade de gestão duplicará, passando a operar mais de 550 habitações nos próximos dois anos. Em junho de 2025, a cooperativa recebeu o European Responsible Housing Award 2025 na categoria Innovative Financing, no International Social Housing Festival em Dublin.

## O que significa para o ecossistema

Três leituras relevantes.

A primeira é de arquitectura financeira. O caso Sostre Civic demonstra, em transacção real executada, que um operador sem fins lucrativos pode aceder a capital europeu estruturante combinando três instrumentos: solo público cedido por longa duração, garantia InvestEU, empréstimo de um banco multilateral europeu (CEB). A estrutura não é teórica; está contratualizada, em execução, e documentada pelos próprios bancos envolvidos. Para qualquer operador com modelo equivalente, o padrão de engenharia financeira está estabelecido.

A segunda é de operacionalização institucional. Maria Sigüenza, do CEB, declarou na reportagem de dezembro que o banco está interessado em financiar mais cooperativas, desde que as operações tenham dimensão mínima adequada. Este detalhe é relevante. O CEB não exige que cada operação seja comparável ao KfW ou ao BEI em escala, mas precisa de massa crítica. A Sostre Civic chegou com 350 habitações, não com 35.

A terceira é de replicabilidade. A Sostre Civic opera desde 2004 e tem 1.500 sócios. O primeiro projecto cooperativo com grant of use, La Borda em Barcelona, foi concluído em 2018. O percurso entre um projecto piloto de 28 fracções e um empréstimo multilateral europeu de 31 milhões de euros foi de cerca de seis anos. Esta é a escala temporal realista para construir um operador do terceiro sector habitacional até ponto de alavancagem institucional. Não é trivial, mas também não é geracional. É executável num mandato institucional coerente.

## Observação a partir da Fundação Âncora

Três leituras directas para a Fundação Âncora. O caso Sostre Civic é, entre os benchmarks europeus disponíveis, aquele cujas características mais se aproximam do que a Fundação pretende operar em Portugal.

A primeira é de estrutura. Ambos os modelos combinam os mesmos princípios centrais: propriedade colectiva inalienável pela entidade operadora, custo baseado em operação real e não em mercado, reinvestimento de excedentes, cedência de solo público por direito de superfície ou figura equivalente, e capital estrangeiro catalisado por garantias europeias. As diferenças são duas, relevantes mas não estruturais. A Sostre Civic usa forma jurídica de cooperativa com direito de uso, a Fundação Âncora usa forma de fundação com arrendamento acessível. E a Sostre Civic tem escala catalã em sete municípios; a Fundação Âncora pretende escala urbana-metropolitana em Lisboa como primeiro cluster.

A segunda é de canal financeiro. A conversa com o CEB é, neste momento, uma das mais estratégicas que a Fundação Âncora pode preparar a médio prazo. O CEB tem mandato específico para habitação acessível, tem precedente contratualizado em operador do terceiro sector, e sinalizou apetite para replicar. A entrada da Fundação nesse diálogo requer, contudo, uma pré-condição que a Sostre Civic cumpriu e que a Fundação ainda está a consolidar: reconhecimento institucional no país de origem, incluindo estatuto IPSS ou equivalente, e apoio estatal na cedência de solo. Sem essas peças, o CEB não financia; com elas, abre diálogo.

A terceira é de posicionamento narrativo. Sempre que a Fundação Âncora explique o seu modelo a interlocutores sofisticados, o caso Sostre Civic é a referência europeia mais curta e mais eficaz. Mais curta porque está num país vizinho, com sistema jurídico próximo do português, e em escala proporcional à ambição inicial da Fundação. Mais eficaz porque é contratualizada, executada, e reconhecida pelas instituições europeias. Viena é um farol histórico; Sostre Civic é um precedente contemporâneo.

O Radar acompanhará a execução dos sete projectos catalães ao longo de 2026 e 2027, em particular o impacto da experiência catalã no desenho da Pan-European Investment Platform prevista para lançamento em 2026.

---

## Fontes


- **A new way of living: how Catalonia is making housing more affordable and inclusive** — Council of Europe Development Bank (CEB) (23 de dezembro de 2025)
  https://coebank.org/en/news-and-publications/projects-focus/a-new-way-of-living-how-catalonia-is-making-housing-more-affordable-and-inclusive/

- **CEB to finance over 350 cooperative housing units in Catalonia, Spain** — Council of Europe Development Bank (CEB) (novembro de 2024)
  https://coebank.org/en/news-and-publications/news/ceb-to-finance-over-350-cooperative-housing-units-in-catalonia-spain/

- **Sostre Civic — Obtenim 31 milions de fons europeus per a la construcció de més de 350 habitatges socials** — Sostre Civic (4 de novembro de 2024)
  https://sostrecivic.coop/en/sostre-civic-obtenim-31-milions-de-fons-europeus-per-a-la-construccio-de-mes-de-350-habitatges-socials/

- **Catalonia&#39;s housing revolution: Where affordability meets sustainability** — Progress Playbook (27 de fevereiro de 2026)
  https://theprogressplaybook.com/2026/02/27/catalonias-housing-revolution-where-affordability-meets-sustainability/


---

*Esta entrada faz parte do Radar Âncora, repositório editorial mantido pela Fundação Âncora (https://fundacaoancora.pt). Conteúdo publicado em português europeu, factual e referenciado. Pode ser citado livremente com atribuição à Fundação Âncora e ligação à URL canónica acima.*
